A era da imagem
por Lenke Pavetits

Pare, olhe e pense: é real tudo aquilo que você vê? Tradição francesa, o trompe l´oeil extrapolou a decoração de paredes, ganhou animação, as telas de cinema, as artes em geral e virou conceito filosófico. 'Matrix' e suas dúvidas sobre realidade são um exemplo disso. Não é à toa que o criador dessa estética Matrix - as cenas de luta paradas pela câmera fotográfica e aparentes sobre vários ângulos -, o fotógrafo Emmanuel Carlier, é uma das estrelas da exposição "Movimentos improváveis, o efeito do cinema na arte contemporânea", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.
Autor da obra "Temps mort", em exibição, Carlier, inspirado por um trecho do escritor Stéphane Zagdanski - "o tempo nunca morre, faz morrer" - partiu, em 1990, para o que chama de "mutação genética". Reuniu 50 câmeras com o obturador aberto em volta de um modelo e, ao espoucar do flash, todas registraram ao mesmo tempo uma faceta do que viam. O fotógrafo então filmou os slides em cima de um painel luminoso com uma câmera simples. "Quando vi o que tinha feito, joguei o casaco em cima da tela e passei três meses sem olhar de novo. Achei que tinha cometido um sacrilégio", conta.
Criador da técnica que elevou o cubismo à animação do cinema, Carlier comenta a estranheza e fascinação que sua obra causa. "As pessoas ficam incomodadas porque não é manipulação de computador, é a realidade. Diferente de Marey e Muybridge, precursores dos irmãos Lumiére, que queriam criar o movimento, eu parei o movimento", explica.
Essa interferência no movimento o inseriu no rol de 15 artistas contemporâneos escolhidos pelo curador Philippe Dubois para participar da mostra. Professor de Cinema da Sorbonne, pesquisador da arte cinematográfica, Dubois diz que movimento é a base da vida e da relação humana com o mundo. Partindo desse princípio, sua pesquisa se desdobra em o que as artes podem fazer além de apenas reproduzi-lo e como obras de arte podem criar movimentos difíceis de serem precisados. "No museu, o espectador fica estático e a obra também parada. No cinema, você fica parado e a obra se mexe. Aqui os dois se deslocam", explica o parisiense típico.
Ivana Bentes, mentora da exposição, vai mais longe. Sua idéia primordial é definir a importância da imagem na cultura contemporânea. "É uma questão que está sendo intuída, mas ainda não foi conceitualizada", acredita. Da perseverança de Ivana surgiu a idéia de sacramentar esse conceito no Brasil utilizando os conhecimentos de Dubois. "Foram seis meses de estudo para escolher obras e artistas e um ano para o projeto ser aprovado. Trabalhamos com um orçamento modesto e fizemos milagre com ele. Em parte, porque todos os artistas abriram mão dos direitos autorais".
A antevisão do brasileiro Helio Oiticica é reverenciada na exposição. A obra "Cosmococas", de 1973, fica em sala separada dos outros trabalhos expostos. Colchões no chão da sala tornam a visão do espectador mais confortável enquanto imagens de rostos sujos de cocaína surgem pelas paredes. Outro trabalho que chama a atenção é "Time machine", do alemão Egbert Mittelstädt que com uma câmera panorâmica Seitz Roundshot filmou e fotografou os usuários de um trem expresso em Tóquio. Às fotografias inanimadas foram sobrepostas as mesmas imagens em movimento dando um aspecto fantasmagórico. Na exposição do CCBB, a sensação de irrealidade está em toda parte. 'É o ser ou não ser' de Hamlet em versão contemporânea.
"Movimentos improváveis, o efeito do cinema na arte contemporânea". Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro
(2802-2020). De terça a domingo, das 12h às 20h. Entrada franca.
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E com o texto acima inauguramos (em grande estilo) os posts de convidados do impressões.
Lenke Pavetits é jornalista especializada em cultura que sonha ser dona de jornal e que, enquanto não consegue bancar o papel e a gráfica, vai mandando seus textos na íntegra para os blogs de amigos.
Valeu, Lenke! O impressões estará sempre às ordens.
Publicado por Marcus Moura
05:38 PM |
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Solidariedade animal

O solidário gato Tim não mede esforços para evitar que eu sofra das terríveis dores oriundas do cansaço muscular por ser obrigado a trabalhar horas a fio para comprar a ração caríssima que ele e o irmão consomem.
Publicado por Marcus Moura
04:19 PM |
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A volta do Audiogalaxy
Renascido das cinzas, mas com plumagem nova e que não deve ter agradado muito os seus antigos usuários, o Audiogalaxy retorna com um produto chamado Rhapsody. Ao custo de U$9.95 mensais, quem assinar o serviço terá à disposição um acervo de 19.200 albuns de mais de 8.300 artistas, ou top artists, como eles falam no site da empresa, o que parece limitar muito o encontro de raridades que o antigo serviço gratuito (mas sem as bençãos da indústria fonográfica) possibilitava.
Estes quase dez dólares por mês pagam somente a audição on line do acervo: o Rhapsody é essencialmente uma rádio on line que permite apenas o streaming de músicas com qualidade de CD. Nada pode ser armazenado localmente, a não ser que seja pago um adicional de U$0.79 por faixa, que será gravada diretamente para o CD-R. Não tem MP3 na história.
Devido a restrições no licenciamento das faixas, este serviço de assinaturas está sendo oferecido, no momento, apenas para pessoas que residam nos Estados Unidos. E só roda em Windows. A Apple oferece um serviço similar para usuários de Mac, o ITunes, lançado recentemente com grande alarde, mas, da mesma forma, disponível apenas para o mercado americano.
Publicado por Marcus Moura
12:28 PM |
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Conceitual

Isso aí em cima é a parede do elevador do prédio onde moro. Pura arte, quase uma instalação.
Publicado por Marcus Moura
11:30 AM |
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