julho 14, 2002
La Lengua de las Mariposas
Estreou no Rio, sem muito alarde e em apenas uma sala (Laura Alvim, em Ipanema), o excelente filme "A Língua das Mariposas", do espanhol José Luis Cuerda, adaptação do romance de Manolo Rivas. Esta produção de 1999 já pode ser encontrada em vídeo e em um mal lançado DVD em tela cheia, pisada na bola da Warner brasileira, que decidiu que não precisamos ver o que acontece nas laterais da tela. O filme, que recebeu o prêmio Goya de melhor roteiro adaptado, é ambientado em 1936, na Galícia, e conta, através dos olhos do pequeno Mocho, que começa seu primeiro ano na escola, o impacto da guerra civil espanhola naquela região. A sensível narrativa e as ótimas interpretações, centradas em Mocho e Don Gregório, seu professor, fazem-nos lembrar, às vezes, da dupla Toto e Alfredo, de "Cinema Paradiso" (dirigido por Giuseppe Tornatore), mas essa impressão vai se desfazendo à medida em que a história se desenvolve até seu desconcertante final. Cinema com letras maiúsculas.
Curiosidades: a ótima trilha sonora é assinada por Alejandro Amenábar, diretor, autor, roteirista (e também compositor da trilha) do bem sucedido "Os Outros", estrelado por Nicole Kidman, que, por sua vez, foi produzido por José Luis Cuerda (Tom Cruise foi o produtor executivo).
Podemos conferir um pouco mais o trabalho da dobradinha diretor Amenábar / produtor Cuerda em "Thesis", primeiro longa de Amenábar, e em "Abre los Ojos", refilmado nos EUA por Cameron Crowe ("Quase Famosos") e produzido por Tom Cruise, com o título de "Vanilla Sky". O original é muito melhor. Esses dois filmes podem ser encontrados por aqui em DVDs de Área 1 (espanhol com legendas em inglês).
Publicado por Marcus Moura
12:58 PM |
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julho 11, 2002
Pororoca das Preposições
A imprensa mundial anunciou hoje a descoberta do crânio fossilizado de um hominídeo com idade entre seis e sete milhões de anos. Esse nosso ancestral "prá lá de ancestral" chega para colocar mais lenha na fogueira da Teoria da Evolução e esculhamba de vez com o elo perdido ao apresentar características tanto de símios quanto de humanos. Bacana.
Enquanto isso, na edição de hoje do Jornal do Brasil (RJ) o jornalista responsável pela redação dessa notícia, certamente emocionado pela força de tamanha descoberta, provocou um fenômeno gramatical nem um pouco natural, a Pororoca das Preposições:
O crânio de um hominídeo com entre 6 milhões e 7 milhões de anos foi descoberto por uma equipe internacional de paleontólogos...
Pois é, vão dizer que ele não pretendia engolir a palavra "idade", que foi sem querer, que foi um lapso, que foi sei lá o quê... Mas cadê a revisão? Parece que não tem mais, o cara senta-se à frente do computador, sai escrevendo qualquer coisa e publica. Que nem eu aqui.
O exemplo aí de cima está a léguas de distância de ser um caso isolado. Ninguém escreve nada direito, nivela-se o idioma por baixo e a ignorância perpetua-se. O errado vira certo. E esse negócio de justificar que a língua é viva é o escambau! Pegue aleatoriamente um lote de provas dissertativas de um curso de graduação qualquer, de uma universidade qualquer, e saia lendo. Horrorize-se, divirta-se, sacaneie ou, o que pode ser muito pior, não descubra erro algum. Aí, gentil leitor(a), o seu caso já está perdido: você foi contaminado(a). Relaxe, se deite debaixo de um carramanchão, contemple a silueta do morro e fique quietinho(a) até após o sol se por prá que ninguém descubra que você é uma besta a muito tempo.
Publicado por Marcus Moura
10:34 PM |
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julho 10, 2002
Jeito estranho de começar um blog
Você leu a nota aí de baixo? Estranha forma de começar um blog, não acha? Mas eu tinha de começar de algum jeito, e a falta de assunto (ou de saco, apesar do saco que a NET me deu) prevaleceu e fez-me começar assim, com essa nota meio xinfrim, meio esquisita, coisa de quem não tem nada para dizer. Por hora. Ou por meses: a data da nota anterior prova isso, irrefutavelmente. Mas aqui estou de volta, querido diário, prometendo tudo, menos assiduidade.
Já fui mais constante com diarios. Mantive um durante quase três anos. Escrevia todo dia. Tinha 14 para 15 anos e ia lá, assiduamente, religiosamente, todo santo dia, contar a minha história, minhas intrépidas aventuras, chorar amores não correspondidos, comentar coisas do dia a dia e não mostrar aquela joça a ninguém. Quer dizer, mostrei só para a tal garota dos amores não correspondidos para ver se, ao ler sobre meus tão puros e nobres sentimentos, ela finalmente correspondia. Deu não...
E o tal diário durou até os meus dezesseis anos, bem mais que a tal paixonite pela garota, quando, novamente, por falta de assunto e saco, dei um basta, após perceber semanas de lacunas em páginas que outrora registravam precisas impressões, às vezes mais de uma vez por dia. Lembro de minha última nota. Era algo assim: "não sei se vou escrever com tanta freqüência, escrevo só se tiver vontade, se não tiver, não escrevo". E nunca mais escrevi. Foi o final mixuruca de uma saga manuscritamente contada em verso e prosa em três cadernos, repleta de emoções, suspense, paixão, aventura, lágrimas, bom humor e gargalhadas.
Mas isso faz muito tempo. E agora vejo-me aqui, enchendo lingüiça neste blog que, diferente do meu diário anterior, lá no Mesozóico, é para ser despudoradamente lido por qualquer navegante que, incautamente, caia nestas páginas. Vou dividir minha falta de assunto com vocês. Só não me perguntem até quando.
Publicado por Marcus Moura
11:09 AM |
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